Artigo do Diretor do RI Mário César Camargo - DQA na pandemia: cada um traz um
Segundo o imaginário popular, há três tipos de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. Sobre o DQA, pairam dúvidas na mente de alguns se estávamos crescendo ou reduzindo. Mas os números que apresentarei não deixam dúvida: o Rotary está diminuindo, pelo menos na América do Sul. E a pandemia pode ser apenas o pretexto de uma tendência anterior, que o coronavírus apenas alavancou. Regiões crescentes antes da pandemia mantém o comportamento, assim como as decrescentes.
Não quero enfatizar o copo meio vazio, mas o meio cheio. E que ainda temos tempo suficiente para reagir, nas zonas 23 e 24. A estatística não pode ser razão para acomodação, mas sim um diagnóstico, para orientar implementação de políticas de crescimento. Temos líderes capazes, um time treinado e motivado, com metas e objetivos claros. Agora é partir para a ação.
- No mundo: em 1 de julho de 2019, quando assumi a diretoria, o Rotary contava com 1.189.466 colaboradores. Um ano depois, com 1.174.890, um decréscimo de quase 15 mil rotarianos globalmente. Em 31 de janeiro de 2021, somos 1.180.108, portanto pouco mais de 5 mil positivos. Praticamente um empate, que mostra a resiliência dos rotarianos, privados de reuniões presenciais, mas ainda assim conectados à instituição;
- Na Índia, zonas 4,5,6 e 7: no início da gestão 2019 eram 152.366 rotarianos; um ano depois, 155.230, um crescimento de 2.864 sócios. Em 31 de janeiro passado, 160.873 membros. Portanto, desde julho de 2019, as quatro zonas do sudeste asiático aumentaram em 8.507 associados. O Brasil e a América do Sul devem descobrir o segredo do crescimento sustentado e longevo do quadro associativo na Índia, uma inspiração para o mundo;
- Na Coréia, zonas 11 e 12: começo de 2019 ( julho), 60.472 rotarianos. Um ano depois, 60.225, uma perda de 247 associados. 31 de janeiro traz o número de 64.841 sócios, um ganho superior à perda do ano passado e com um acréscimo líquido de 4.369 sócios desde 1 de julho de 2019. O corona lá teve efeito contrário: aumentou o quadro associativo, como na Índia. O Oriente vai dominar o Rotary em poucos anos;
- Zonas 25 a 34: compreendem a América do Norte e Central, além do norte da América do Sul: iniciaram julho de 2019 com 355.326 rotarianos. Em julho de 2020 eram 342.979, e em 31 de janeiro de 2021 foram contabilizados 335.531 sócios, uma perda líquida de 19.795 rotarianos desde o começo de nossa gestão 2019-2021. Como ocorre com a emergência de potências asiáticas, concomitante ao declínio dos EUA no cenário global, o Rotary também reflete essa trajetória. Isso porque o Rotary mal arranhou a China comunista, que coloca óbices inaceitáveis aos valores rotários;
- Zonas 23 e 24: Brasil e América do Sul espanhola; Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador: a zona 23 B começou julho de 2019 com 20.952 rotarianos, baixando a 20.519 um ano depois. Em 31 de janeiro passado apresentou 20.828 associados, uma pequena perda de 124 neste período de 19 meses. As zonas 24 A, 23 A e 24 B, constituindo o Brasil, tiveram o seguinte desempenho: julho de 2019 com 51.926 rotarianos, contando 52.328 um ano depois. Mas o número surpreendente foi divulgado agora, 31 de janeiro: 51.269 associados, uma queda de 657 associados desde o início do biênio 2019-2021.
Os dados foram fornecidos dia 8 de fevereiro, de autoria do Membership Committee. Salvo inconsistências estatísticas, apresentam um quadro de desafio significativo para a gestão: teremos que recuperar quase 800 sócios na América do Sul para voltarmos aos níveis do início da gestão. Um desempenho longe do asiático, mas pelo menos superior aos norte-americanos.
Perfeitamente factível, 18 companheiros para cada um dos 45 distritos das duas zonas.
Talvez o melhor desafio seja aquele proposto pelo presidente eleito Shekhar Mehta na assembleia internacional virtual: Cada um traz um. Já estou trabalhando para trazer o meu novo companheiro, quiçá nova companheira. E você?






